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29 de setembro de 2009

A morte do morango


Uma dor transcendental transpassou a minha alma e a rasgou em duas, a primeira acreditava em todos, e a outra apenas em si mesmo. Eu tinha sido separado em egoísmo e inocência, e o egoísmo ludibriou a inocência, então eu fui tomado por demônios. Lá no fundo eu podia ouvir uma voz sussurrando: enfrente seus demônios!, mas não passava de um sussurro. E em seguida um grito que congelou a minha coluna e fez os cabelos da minha nuca subirem. Um grito alto, agudo e irritante. Então, eu vi uma garotinha de rosto angelical, ela era a personificação da minha inocência, mas ela me culpava por ter sido ludibriada pelo egoísmo, e em conseqüência disso a inocência se rebelou, mas o egoísmo de tão ambicioso que era, acabou por matar a inocência. Desde então, nunca mais acreditei em ninguém.

20 de setembro de 2009

Indiferença


O crescimento do ser humano é determinado pela sua caminhada, e pelas dores e decisões que ele vai tomar. A dor faz as pessoas crescerem, ou desperta um sentimento incoerente e incompreensível. O fato é que quem erra aprende, e quem sente dor cresce, enquanto sentir dor irá crescer, portanto, a dor é o crescimento. Por que crescer é sentir dor?

Durante a dor você se vê sozinho, você sente medo, angústia e algum punhado de coisas do tipo, e o principal é que quando passa o momento da dor, você olha pra trás e vê que conseguiu atravessar, que conseguiu passar por aquilo, vê que é forte por sobreviver, é uma motivação a mais pra aproveitar a plenitude de coisas triviais como um sorriso, uma chuva, um pôr-do-sol, uma nuvem e até mesmo uma pessoa (ou várias), você passa a ver essas coisas como uma redenção. Porém, apesar de todo o horror que se esconde atrás da dor, existe uma coisa que é pior que ela: a indiferença. Indiferença com outra pessoa, com outra coisa, ou até consigo mesmo, ela é terrível em todos os aspectos. Indiferença é a ausência de sentimento, como se fosse um vazio, nada, um tipo de coisa que não se dá para imaginar até sentir.

Com a indiferença, não há uma mudança de estado, não há um crescimento, é apenas um monte de nada, como se anestesiassem a outra parte de você que não era indiferente. Anestesiado uma vez, você não tem mais a perspectiva de sair daquilo, muito menos a de encontrar uma redenção, você se encontra dentro de uma aspas de você mesmo: o “eu”. A indiferença não te faz humano, a indiferença não te faz desumano, ela não te faz nada. A indiferença é uma doença crônica, e como toda doença, ela também mata. Ela mata, mas ninguém a reconhece por querer que a mesma não exista. Alguém consegue imaginar uma coisa pior que ser um vazio?

Sabe o que é pior que ter o coração partido?
É não lembrar de como você se sentia antes.