28 de abril de 2013
Não há ninguém aqui pra você provar que existe
Seus pensamentos voavam vôos rasos no céu de sua cabeça, fazendo dela um emaranhado de confusões passageiras e ligeiramente transitórias. Já não sabia mais o que pensar, ou como pensar. Sozinha na frente do fogão, se deparou com somente a solidão sentada na mesa, dizendo apressada que estava com muita fome. Que a solidão morra de fome, pensou. Já estava farta de dizer pra si mesma que a vida não lhe dera opções. Ela quis voltar no passado e tomar escolhas diferentes, quis viver a vida de uma pessoa que não era a dela. Não que a sua fosse ruim, não era. Mas quem sabe, da outra forma não estaria sozinha em casa jantando com a solidão. Esse era o caminho que ela se deixou levar, e nos seus pensamentos era isso que ela tinha que apenas aceitar, como o fez por um longo tempo. Mas bem lá no fundo ela desejava mais, ela desejava ser mais, mas até então isso ficaria apenas como um desejo reprimido, empoeirado. Filhos, marido, tudo agora não passava de um sussurro inquietante, como se perguntasse porque todos não estavam lá, um fantasma cujo eco preenchia a casa inteira. Então ela voltou a si e interrompeu a quase-epifania e voltou a jantar como o usual.
2 de abril de 2013
Conversas de elevador
No saguão eles se encontraram, depois de muito tempo sem se ver.
Aquele sorriso fácil caiu, e ambos sabiam que era uma gentileza coberta de formalidade que chegava a ser constrangedor. Ocorreu então, o pensamento de que as coisas tinham ficado complicadas demais. Ou não.
Entraram no elevador, e as mãos erraram o trajeto na hora de apertar o botão do andar - elas se encontraram. Uma conversa vazia e uma negligência óbvia era tudo o que eles poderiam oferecer um ao outro no momento, e era o que estava acontecendo . Só que nem sempre foi assim.
"Sinto saudades do que éramos" - disse um.
"Sinto saudades de quem eu era" - disse o outro.
E finalmente se deram conta de que estavam um a frente do outro.
Silêncio, um suspiro e uma história mal resolvida. - o elevador para.
"Eu só queria que nada disso tivesse acontecido", um diz um com um murmúrio.
Uma mão tatea em busca da outra, e encontra o vão. O outro sai fingindo que nada aconteceu. E só o que aconteceu mesmo, no fim das contas, foi a vida.
Aquele sorriso fácil caiu, e ambos sabiam que era uma gentileza coberta de formalidade que chegava a ser constrangedor. Ocorreu então, o pensamento de que as coisas tinham ficado complicadas demais. Ou não.
Entraram no elevador, e as mãos erraram o trajeto na hora de apertar o botão do andar - elas se encontraram. Uma conversa vazia e uma negligência óbvia era tudo o que eles poderiam oferecer um ao outro no momento, e era o que estava acontecendo . Só que nem sempre foi assim.
"Sinto saudades do que éramos" - disse um.
"Sinto saudades de quem eu era" - disse o outro.
E finalmente se deram conta de que estavam um a frente do outro.
Silêncio, um suspiro e uma história mal resolvida. - o elevador para.
"Eu só queria que nada disso tivesse acontecido", um diz um com um murmúrio.
Uma mão tatea em busca da outra, e encontra o vão. O outro sai fingindo que nada aconteceu. E só o que aconteceu mesmo, no fim das contas, foi a vida.
Assinar:
Postagens (Atom)




