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3 de setembro de 2014

Conclusões não tão precipitadas assim

Hoje é dia de tirar conclusões tardias e mudar algumas certezas de lugar.
Ultimamente ando evitando qualquer atrito, negatividade e coisas desnecessárias. Meus sentimentos têm durado mais, assim como a minha forma de lidar com eles.
Tenho pra mim que a base fundamental de qualquer relação saudável é respeito. Respeitar alguém engloba muitas coisas, e uma muito importante é ter aquele pensamento de que você pode comprar livros de psicanálise, psicologia, analisar as ações de alguém à fio por horas e mesmo assim não vai significar nada, porque a menos que você tente se colocar no lugar da pessoa, você jamais vai conseguir entender ela. Na verdade, mesmo tentando, você jamais será capaz de compreender alguém completamente, e é prepotência achar que sim.
É ter a noção de que toda pessoa é um universo diferente e você geralmente só tem acesso a uma minúscula parcela dele. Quem percebe isso, aprende que um abraço amigo edifica muito mais que apontar um dedo na cara dizendo 'eu te avisei', com um sorriso sádico. Estar certo não é tão importante assim. Quando você olha pra alguém e só consegue ver defeitos, só significa uma coisa: é hora de se desprender. É bem melhor desatar um laço do que desamarrar um nó.
Então, quem quiser apontar o dedo na minha cara e dizer que eu sou isso e aquilo, ou se vangloriar de estar certo sobre qualquer coisa, boa sorte. Mas eu só digo que eu prefiro o outro lado, aquele mais leve.

6 de agosto de 2014

O extrastronauta


Sempre fui de ir de peito aberto e mandar avisar ao Senhor de Iludir que eu tenho bem mais disso aqui dentro. Mas a verdade é que eu sou um astronauta vindo do espaço sideral, de uma galáxia distante onde todas as pessoas são bobas, que na maioria das vezes seria vista aqui na Terra como ingênua, acreditando sempre no melhor das pessoas, em recomeços, segundas chances e tudo mais.

Lá no meu planeta quando você vira astronauta, você aprende que muitas pessoas na Terra tentarão ganhar vantagem em cima dessa característica nativa do nosso povo, e algumas infelizmente conseguirão. Tendo isso em mente, treinamos a nossa memória para nunca esquecer um desses nomes. E nunca esquecemos.

Aprendemos também que é um jeito constante da Terra lembrar de onde viemos, tentando tirar o que há de melhor de nós, que passamos anos praticando com muita cautela. Então, a nossa nave se parte em pedaços. E é nessa hora que nós da superfície terrestre mesmo, juntamos as peças que restaram, decepcionados e cabisbaixos, mas sempre tentando fazer algo melhor em busca de voltar pra casa acreditando que a missão pode ter sido cumprida com sucesso.

Algumas vezes nos perdemos. Às vezes muito, outras vezes nem tanto assim. Somos um povo um pouco complicado, e se estabelecer na Terra  é um processo que só termina quando quem nos tornamos colide com quem queremos ser. A colisão é luminosa, com um brilho que ecoa através de nós mesmos e produz um clarão sem igual.

No fim das contas, aprendemos na Terra que o tamanho, o brilho e o clarão depende somente da forma como agimos. É apenas um jeito muito bonito e as vezes indelicado de aprendermos sobre o valor, peso e consequência das nossas ações.

Afinal de contas, não estamos suscetíveis somente aos nossos próprios erros, mas aos alheios também. Alguns de nós não aprendem nada na Terra. A nave pode voltar para casa com defeito. Várias coisas podem acontecer. O melhor pode não ser o bastante, principalmente quando não sabemos o que queremos.

Como eu já disse, somos um povo bastante complicado. Não ouvimos canções de amor. Mandamos SOS de uma pequena caixa, mas as vezes nem buscamos ajuda. Somos complicados. Procuramos na Terra algo que na maioria das vezes nem sabemos o que é, mas que precisamos tanto achar que nos faz desbravar planetas totalmente desconhecidos, em busca de algo que baste.

Mas uma coisa é certa: sempre voltamos, sem nunca esquecer de onde viemos.

29 de junho de 2014

I'm a son of rage and love

É isso aí. Eu sou o filho da raiva e o amor. Uma bagunça completa. Uma tempestade, como o username do meu twitter tá cansado de dizer e sempre reforça. Tenho muitos problemas, e alguns deles só eu sei. Mas afinal de contas quem não é? Verdade seja dita, todos somos uma bagunça completa, a diferença só está na superexposição. A vida vem do mesmo jeito pra todos, uma hora ou outra, é um fato incontestável. As indefinidas situações que você passa te transformam, e as decepções te fazem criar mecanismos de defesa para que você amenize o sofrimento uma vez causado. Você carregará cicatrizes pro resto da vida. Algumas mais cicatrizadas, outras não. É natural, é a capacidade de se adaptar do ser humano. Sem isso nós não teríamos sobrevivido e evoluído por milhares de anos.

O problema é que devido a isso, vez ou outra nós acabamos incorporando algo que é chamado de complexo do porco-espinho. Quando adquirimos o complexo do porco-espinho o nosso comportamento se torna paradoxal, ansiando pela proximidade das pessoas mas ao mesmo tempo evitando essa mesma proximidade com medo de nos magoarmos. Inseguros e complexados, temos a tendência de nos afastar das pessoas por temer a mágoa da separação. No fim das contas, criamos uma armadura, que funcionam como mecanismos de defesa e por várias vezes complicam as nossas relações, algumas vezes até agindo contra nós mesmos. Mas não estou aqui para falar de auto-sabotagem.

Vivemos em um meio em que somos julgados a todo tempo. Isso faz com que, frequentemente, as pessoas busquem a aceitação social mesmo que isso signifique ignorar coisas pessoais. Seja aquela característica própria que não é bem vista como um todo ou apenas não tão estimada assim. O medo da não aceitação faz com que a armadura seja forjada contra o seu próprio feitor, fazendo a pessoa viver em falta consigo mesma. Auto-aceitação é uma das coisas mais complicadas que existe e não é todo mundo que consegue viver com a consciência limpa por ser quem é. É difícil ser honesto consigo mesmo a todo tempo. Um conselho que uma vez eu ouvi é: nunca mentir pra si mesmo. A felicidade tá mais perto assim, eu acredito.

O mundo de hoje tem algo chamado de 'o paradoxo do mundo tecnológico', que é aquele de estar no meio de milhões e mesmo assim se sentir sozinho. Óbvio que não no sentido literal da palavra, mas todos nós buscamos formas de se relacionar com outros, é uma necessidade básica. O problema é que isso não é tão simples, nós somos seres complexos. Esse mundo absolutamente tecnológico tornou as relações mais complexas, e o contato mais sistemático e padronizado. Ou seja, nós temos hoje um milhão de pessoas diferentes a um clique de distância e todas elas aprendendo uma linguagem emocional padronizada, formatada e consequentemente, complexa. 

Nós aprendemos aquela velha história que a vida é curta, e isso faz com que sentimos tudo com demasiada intensidade. Não é bem assim, equilíbrio é fundamental. Quando o perdemos, temos que ter em mente que as pessoas lembram, e nem sempre esquecem tão fácil. De toda forma, se despir das armaduras faz com que seja mais fácil se relacionar, e mesmo que seja difícil, devemos o fazer. Julgar menos, se preocupar menos em ser aceito ou viver com o padrão de vida normal. Isso nem sempre significa felicidade. E quem afinal de contas quer ser infeliz, né?

7 de janeiro de 2014

Sedentarismo

       Quantas vezes a gente precisa se sentir vazio pra se encher de algo?

      Algumas vezes eu só queria largar de vez esse vício de ver tudo de forma simbólica e abstrata. Em, outras, só ser mais expressivo. Mas hoje eu vejo que o melhor é calar a boca, sabe? De vez em quando a gente precisa ficar sozinho pra conseguir olhar pro céu a noite e em vez de se guiar por estrelas, ver um farol. E isso é todo um processo até você ter certeza de quem é a pessoa que te olha fixamente no espelho.
      Eu cansei de falar como a vida é injusta e a forma como ela nos atinge, cansei tanto que até passei a aceitar. Aceitação, que palavra estranha pra se dizer aos 21 anos. Mais estranho ainda é aprender na marra que ela tem mais significados do que se possa imaginar. Uma coisa é certa, só com pouco mais de duas décadas vivo já cansei de uma gama de coisas que deveria ter cansei somente daqui há alguns 15 anos, mas velhice precoce é clichê demais e eu não quero considerar isso.
      Já passou toda aquela baboseira adolescente sobre o que é diferente e normal, sobre saber de alguma coisa sobre algo e também a fase seguinte que é a de ver que o mundo não é realmente aquele parquinho de diversões. Quem vive de prazer paga seu preço. Em seguida é só choque de realidade. Mas eu também cansei disso. Cansei de dramas, cansei de novelas mexicanas, cansei de amores imaginários e cansei de lutar por uma guerra contra o mundo e tudo que existe dentro dele. Sinceramente, cansei até de procurar alguma coisa. Desde então, venho fazendo o contrário, até comigo. 
     E cá estou eu, recorrendo mais uma vez sem saber o que fazer, com pés e mãos atadas. Só que o que me incomoda mesmo é que isso tudo soa mais como uma música da Luka.