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20 de junho de 2010

Memories;

Lembro que certa vez eu tinha um melhor amigo, meu primeiro melhor amigo. Com ele, eu aprendi as minhas primeiras lições de amizade, os primeiros e mais puros significados subjetivos. Éramos um bando de crianças chatas pra caralho, confesso. E eu era um puta arrogante, desde pequeno (engraçado é que não mudei porra nenhuma). Mas né, coisas simples como gostar de um time, aprender o que é um computador, jogar futebol de botões e estrear um descolado SUPER NITENDO fizeram parte disso, período que deve ter sido desde a segunda série até a quarta série (não fiz primeira série por motivos óbvios). Aprendi que sem querer, intencionalmente, pessoas firmam laços mais fortes com uns do que com outros, e isso não dura pra sempre, e nem é imutável. Amizade de criança é simples e pura, e tem um atributo que fica mais difícil a partir do momento em que você vai crescendo: perdão.
Criança perdoa fácil demais, pelo que me lembro. Certa vez, me lembro de ter ficado chateado com esse meu melhor amigo, a ponto de sentir uma fúria dentro de mim e eu conseguir levantá-lo pelo colarinho da blusa (até o meu 1° ano do ensino médio eu sempre fui o menor da sala, e o mais magro.) mesmo com toda essa minha estatura e força física que possuo. Aquilo me pegou de repente, fiquei pasmo com o que eu tinha feito, de certa forma, me deu certa paz, aquela sensação de que você foi capaz de algo que até mesmo você duvidava. E provavelmente, só eu dou valor a essas lembranças desbotadas.
Mas esse não é o ponto, o ponto é que, quando adultos, o orgulho vira nossa segunda pele, o orgulho se penetra nos teus poros e não sai de jeito nenhum, principalmente com essas pessoas que mostram nos conhecer profundamente, considerando o tempo vivido. Isso acontece muito na adolescência, demais, por ser uma fase experimental da vida. Pessoas mudam, crianças crescem, corpos infantis ganham cérebros dotados de lógica e senso de justiça confuso, que sempre nos leva à julgamentos errados e decisões precipitadas. E no meio de todas essas transformações que ocorreram no decorrer do passar desse tornado T-5 chamado adolescência, algumas pessoas se distanciam, e estranhos se aproximam, e foi assim que perdi meu primeiro melhor amigo. Perdi contato, e parei de conhecê-lo, e quando vi, ele era uma dessas pessoas da qual eu não gostava de perder tempo com conversa. Mas sempre soube que no fundo, ele teria sido meu primeiro relacionamento de verdade. Isso tem um valor especial pra alguns, mas não pra mim. Até hoje, não mantenho um relacionamento com o meu primeiro amigo, porque não cabe em mim me relacionar com a pessoa qual ele se tornou. É um estilo de vida original que somente eu sigo, então eu só posso ter a mim mesmo como seguidor.
Pessoas vão te machucar, isso é inevitável. Mas você tem que ter a plena consciência do quanto isso vai te afetar e principalmente, se estar do lado dessa pessoa que te machuca vale à pena. Os estragos em si são quase impossíveis de prever, exceto por existir uma coisa chamada autoconhecimento. Conhecimento é tudo, autoconhecimento é tudo em você, conhecer os seus limites é fundamental, ir além deles é tolice, ir além deles é mergulhar em um poço qual você não consegue ver o fundo.

Você pode ler a minha mente?

Que grande merda fodida é se relacionar emocionalmente.

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