É esse silencio constrangedor que fica. É nessa parada que o
meu ônibus para e me deixa sozinho, com as mãos enregeladas e tremendo de frio.
Já faz uns 20 minutos que eu ando sem direção, e já faz mais algum tempo desde
a última vez que eu consegui ver o sol ou alguma outra pessoa por aqui, nem que
seja vagando, assim como eu, ou ocupada em alguma tarefa cotidiana não
importante. Eu assisto o crepúsculo cair silenciosamente, deixando esse
silêncio inquieto por conta da noite, que se alonga. Isso me perturba. Eu
sento em um banco, ergo a minha mão na direção da luz de um poste, assisto uma
folha cair de alguma arvore perto e a acompanho com o indicador, até que ela
deita sutilmente em cima do banco e a luz do poste se apaga, como um sopro. As
nuvens alaranjadas da luz vieram novamente, agora carregadas de chuva, sinal de que eu
devo voltar, mesmo que não pertença à aquele lugar.
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