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13 de maio de 2012

Até que Lucy teve uma epifania



Lucy esperava ansiosamente pelo fim do ano, era de longe a sua parte do ano preferida. Todas aquelas luzes, a animação, os enfeites de natal, tudo isso aquecia o seu coração. Em ventura de tudo que lhe acometera o ano inteiro, o fim do ano também fazia menção a um futuro recomeço, e consequentemente o fim de um ciclo. Lucy ainda se sentia frágil e vulnerável, duas coisas que pareciam suas únicas companhias em algum momento ou outro. E foi pensando sobre essas coisas que ela deixou a faca que tinha em mãos escapar, por um milésimo de segundo, transformando seu polegar em uma mina de sangue. Em uma reação de puro reflexo, pega um punhado de sal com a outra mão e coloca sobre o dedo cortado, fazendo-a agonizar de dor. Correndo rapidamente em direção a pia, ela percebe que gosta da sobreposição do vermelho-sangue sob o verniz da pia, e em seguida se sente incrivelmente estranha por tal pensamento. Enquanto colocava o dedo embaixo da torneira, decide que é hora de cortar as cordas e cair novamente. Que não é mais hora de ser frágil, de deixar o mundo dela se abalar de tal jeito, mesmo na completa ordem. Concluindo que era necessário cair, que para reconstruir algo era necessário a destruição de um outro, ela pega o telefone e disca o número que o seu subconsciente lembrava tão facilmente. Com a voz tremida e em certo tom de incerteza, Lucy diz algo sobre paciência, bem-estar, equilíbrio e um possível novo jeito, enquanto a voz do outro lado profere palavras que misturam raiva e o sentimento de traição. Nesse exato momento, teve a consciência de todo o tempo desperdiçado, de todas as histórias despedaçadas, de tudo que havia chegado ao fim. Lucy sabia que as perguntas sobre quem iria amá-la, quem iria lutar por ela e mais na frente a inegável menção a uma queda ficariam gravadas em sua memória por bastante tempo, mas não decidiu se importar por hora. Sendo franca consigo mesma, não se importaria com nada por um bom tempo. E foi mantendo esse pensamento em mente que ela pegou a faca de volta e voltou a fazer seu almoço, porque a fome era o único incômodo que ela decidira se importar.

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