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14 de fevereiro de 2013

Você é o que você consome, mas a verdade é que você é apenas consumido

Consumismo, a engrenagem que faz a humanidade funcionar. A população do planeta terra inteira tem noção de que dinheiro move o mundo e sempre moveu. Em consequência disso, podemos concluir que o mercado também. Certa vez um professor da faculdade me disse que nós não escolhemos o que compramos, nós somos apenas compelidos a comprar. De fato, há um fundo de verdade nisso, e eu reuni alguns produtos que de tempos em tempos viram tendência e deixam de ser, que são anexados na cultura pop mundial e depois deixados de lado, e assim por diante...

Celulares, Smartphones e Outras Coisas

Celular, iPhone, smartphone, escolha você mesmo o nome que usar. Hoje, em 2013 nós estamos na era touchscreen, a era dos tablets, a era em que é desvantajoso ter um celular com a tela pequena. Mas... vocês se lembram como isso começou? 


Isso tudo começou com a velha série Nokia conhecida popularmente por tijolão. Na década de 1990 esses aparelhos eram o esplendor da tecnologia, e adivinha só? Todos queriam um! Não tinha câmera, não reproduzia mp3 e muito menos vídeos mas mesmo assim todos queriam. A essa altura internet era apenas um desejo, e no celular era uma ideia ridícula. O máximo de entretenimento que ele talvez fornecesse era o famoso jogo da cobrinha, que matou o tempo de muita gente por anos. Na década de 90 eu era criança, mas ainda assim tive o prazer de ver um celular desses com esses olhos que a terra um dia há de comer e certamente você que é maior de 18 anos também conheceu alguém que teve um desses. Hoje, só servem para enfeitar um museu ou fazer mal para alguém que você detesta (deve doer). Você ainda quer um?


Logo após a ascensão dos tijolões ao topo do desejo consumista, aconteceu a coisa mais óbvia para algo que está no topo: a queda. Isso foi ocasionado por um fenômeno no mínimo interessante, as inovações tecnológicas começaram a moldar o desejo das grandes massas, e os celulares compactos começaram a virar o objeto de desejo, tornando os tijolões aparelhos ultrapassados e até mesmo bregas. Esses já incorporavam um aspecto ou outro dos celulares que conhecemos hoje, mas claro, sem esse boom gigantesco que foi a internet e as redes sociais. De repente nenhuma das pessoas que conhecíamos, talvez as pessoas de mais idade, tinham um celular grande.

E então finalmente nós chegamos à nossa era, a era online em que os celulares voltaram a ser coisas enormes sem serem bregas e realizam várias tarefas, cada uma mais impensada que a outra e que certamente você possui, possuiu ou deseja um. O jeito de se comunicar foi difundido e as pessoas passaram a serem tão consumistas a ponto de acampar na frente de uma loja apenas para comprar antes de outra pessoa. Parece absurdo né? Mas esse é o mundo em que vivemos.

HQ's e livros que você nunca leu
Nos nossos queridos anos 10 um comportamento que se tornou incansavelmente repetitivo foram as trilogias. A regra é clara: deu dinheiro? Faça uma trilogia! Deu mais dinheiro? Faça mais filmes! Claro, isso funciona bem melhor se for baseado em um livro, ou por que não melhor? Em uma série de livros! Senhor dos Anéis, Harry Potter, Percy Jackson, Crepúsculo, As Crônicas de Narnia, são todos livros juvenis que uma legião de adolescentes incontroláveis já leram, e que chamaram bastante atenção devido as adaptações cinematográficas. O nome disso é apenas mais um: cultura acessível. Um livro se tornar lido por existir uma adaptação nas telinhas é um hábito tão comum quanto perceber a fórmula por trás das novelas da Gloria Perez. Crepúsculo por exemplo, é uma obra que é criticada por Zeus e o mundo e consideravelmente pior que qualquer livro do Machado de Assis (convenhamos), mas se você perguntar a qualquer adolescente em uma certa faixa de idade, que ele vai responder que adora Crepúsculo e vai também fazer uma careta feia quando você diz literatura e brasileira na mesma frase. Não é uma crítica, é um fato.

O ponto é, tais livros não viram best-sellers por acaso. Correndo o risco de parecer paranoico eu digo a vocês que é tudo um plano maléfico para que o dinheiro desapareça misteriosamente da sua carteira. 50 tons de cinza não é o que é por acidente, é por que assim vende. E você compra. E você lê. E você assiste. Você ainda acha que escolhe o que compra? Vamos para outro ponto então, em uma das séries mais cultuadas da cultura pop atual: The Walking Dead. A HQ é lançada nos EUA desde 2003. Isso mesmo, há 10 anos. Já no Brasil, começou a ser lançada em 2006, mas acompanhando os volumes atuais dos EUA. Mas eu e você só começamos a ler o quadrinho depois que a série foi lançada em 2010, não é? Eu não mencionei cultura pop ali por acaso, pensem no número de pessoas que começaram a gostar de zumbis e da ideia de um apocalipse zumbi depois que a série se tornou famosa. 

Nega Samurai alterou seu status para: seríssima.
A mesma coisa se repete com Game Of Thrones, hoje uma aclamada serie da HBO que tem uma série até agora 5 livros publicados, com o seu primeiro volume lançado em 1996 e que só ganhou popularidade após o lançamento da série em 2011. E os filmes de heróis então? Batman, Capitão América, Superman, Lanterna Verde, Os Vingadores são todos filmes que surgiram de HQ's que eu duvido muito que os "fãs" os filmes tenham sequer lido mais de 15 HQ's de cada um. A mesma coisa acontecerá com esses remakes de Star Wars que está sendo feito, e agora com a compra que a Disney fez sobre os filmes e o anúncio de mais filmes, a única coisa que podemos concluir é que a mesma coisa vai acontecer. 

Receita para o sucesso de um cantor/banda: mate-o.
Bem, infelizmente é isso aí mesmo. Eu poderia fazer uma lista enorme de cantores que já morreram e seu sucesso foi não só duplicado, mas multiplicado por um número em potência de 10. Vasculhando na memória aí um pouquinho, você consegue pensar. Michael Jackson estava sendo pouco a pouco esquecido, até marcar sua nova turnê e morrer, Amy Winehouse tinha sua popularidade baseada nos escândalos com drogas, Whitney Houston surpreendeu as massas com uma morte polêmica, Donna Summer que até então grande parte não sabia quem era até morrer, entre outros que morreram recentemente e nós pudemos observar claramente nas redes sociais a movimentação excessiva e as vezes até exagerada. Creio eu que isso também ocorreu com Elvis, John Lennon, Freddie Mercury, Kurt Cobain, Sid Vicious, Mamonas Assassinas, Legião Urbana, Cazuza, Cássia Eller, e vários outros que morreram antes. Como eu disse, daria uma lista enorme. O fato é: sempre que um cantor notável morre, seu sucesso é multiplicado. As gravadoras sabem disso, e a primeira coisa que acontece é falar pro povo: ei, nós temos músicas novas do fulano que morreu! E eles lançam, e nós compramos ou baixamos por torrent. Você ainda acha que não é compelido a comprar?

Os doces no supermercado ficam na parte de baixo por apenas um motivo, e esse motivo é parecido com o que eu estou falando desde o começo desse post. É só questão de prestar atenção. Mas lembrem-se criancinhas: não há motivo pra lutar contra isso. Che Guevara e o socialismo não mudarão isso, o mundo é assim. E ah sim, fica aqui um último pedido: não sejam o cara com síndrome de underground  (eles são sempre malas). Nem o cara que conta spoilers também! (spoiler </3) . Então... o que você vai comprar?

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