É isso aí. Eu sou o filho da raiva e o amor. Uma bagunça completa. Uma tempestade, como o username do meu twitter tá cansado de dizer e sempre reforça. Tenho muitos problemas, e alguns deles só eu sei. Mas afinal de contas quem não é? Verdade seja dita, todos somos uma bagunça completa, a diferença só está na superexposição. A vida vem do mesmo jeito pra todos, uma hora ou outra, é um fato incontestável. As indefinidas situações que você passa te transformam, e as decepções te fazem criar mecanismos de defesa para que você amenize o sofrimento uma vez causado. Você carregará cicatrizes pro resto da vida. Algumas mais cicatrizadas, outras não. É natural, é a capacidade de se adaptar do ser humano. Sem isso nós não teríamos sobrevivido e evoluído por milhares de anos.
O problema é que devido a isso, vez ou outra nós acabamos incorporando algo que é chamado de complexo do porco-espinho. Quando adquirimos o complexo do porco-espinho o nosso comportamento se torna paradoxal, ansiando pela proximidade das pessoas mas ao mesmo tempo evitando essa mesma proximidade com medo de nos magoarmos. Inseguros e complexados, temos a tendência de nos afastar das pessoas por temer a mágoa da separação. No fim das contas, criamos uma armadura, que funcionam como mecanismos de defesa e por várias vezes complicam as nossas relações, algumas vezes até agindo contra nós mesmos. Mas não estou aqui para falar de auto-sabotagem.
Vivemos em um meio em que somos julgados a todo tempo. Isso faz com que, frequentemente, as pessoas busquem a aceitação social mesmo que isso signifique ignorar coisas pessoais. Seja aquela característica própria que não é bem vista como um todo ou apenas não tão estimada assim. O medo da não aceitação faz com que a armadura seja forjada contra o seu próprio feitor, fazendo a pessoa viver em falta consigo mesma. Auto-aceitação é uma das coisas mais complicadas que existe e não é todo mundo que consegue viver com a consciência limpa por ser quem é. É difícil ser honesto consigo mesmo a todo tempo. Um conselho que uma vez eu ouvi é: nunca mentir pra si mesmo. A felicidade tá mais perto assim, eu acredito.
O mundo de hoje tem algo chamado de 'o paradoxo do mundo tecnológico', que é aquele de estar no meio de milhões e mesmo assim se sentir sozinho. Óbvio que não no sentido literal da palavra, mas todos nós buscamos formas de se relacionar com outros, é uma necessidade básica. O problema é que isso não é tão simples, nós somos seres complexos. Esse mundo absolutamente tecnológico tornou as relações mais complexas, e o contato mais sistemático e padronizado. Ou seja, nós temos hoje um milhão de pessoas diferentes a um clique de distância e todas elas aprendendo uma linguagem emocional padronizada, formatada e consequentemente, complexa.
Nós aprendemos aquela velha história que a vida é curta, e isso faz com que sentimos tudo com demasiada intensidade. Não é bem assim, equilíbrio é fundamental. Quando o perdemos, temos que ter em mente que as pessoas lembram, e nem sempre esquecem tão fácil. De toda forma, se despir das armaduras faz com que seja mais fácil se relacionar, e mesmo que seja difícil, devemos o fazer. Julgar menos, se preocupar menos em ser aceito ou viver com o padrão de vida normal. Isso nem sempre significa felicidade. E quem afinal de contas quer ser infeliz, né?





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