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13 de abril de 2012

Nada em seu lugar



É esse silencio constrangedor que fica. É nessa parada que o meu ônibus para e me deixa sozinho, com as mãos enregeladas e tremendo de frio. Já faz uns 20 minutos que eu ando sem direção, e já faz mais algum tempo desde a última vez que eu consegui ver o sol ou alguma outra pessoa por aqui, nem que seja vagando, assim como eu, ou ocupada em alguma tarefa cotidiana não importante. Eu assisto o crepúsculo cair silenciosamente, deixando esse silêncio inquieto por conta da noite, que se alonga. Isso me perturba. Eu sento em um banco, ergo a minha mão na direção da luz de um poste, assisto uma folha cair de alguma arvore perto e a acompanho com o indicador, até que ela deita sutilmente em cima do banco e a luz do poste se apaga, como um sopro. As nuvens alaranjadas da luz vieram novamente, agora carregadas de chuva, sinal de que eu devo voltar, mesmo que não pertença à aquele lugar. 

8 de abril de 2012

Dark Thriller

Me dê sua alegria, e eu a transformarei em medo
Me dê sua raiva, me dê seu ódio, e eu me alimentarei disso
Deixe-me ver suas fraquezas corroerem você,
Deixe-me sentir o pulso do se coração mais rápido,
Suas pupilas dilatando,
A adrenalina a se espalhar pelo seu corpo, o cheiro de medo.
Deixe-me sentir a sua agonia, ao ver todos os seus fantasmas e demônios
Eu farei a vida se esgotar de você,
Quero sentir mais, e brincar de Deus.

O passageiro sombrio está dizendo que você não vai a lugar nenhum.

28 de março de 2012

Power to the people!

O ser humano tem o prático hábito de minimizar coisas, aprendemos desde criança a minimizar problemas, pois assim tudo fica mais fácil de resolvermos. O que comprova isso é que pensamos, na maioria das vezes, em situações momentâneas (o presente), partindo daí a filosofia adolescente baseada na urgência de viver o agora. De fato, pode ser útil em algumas vezes, mas é possível e mais provável que, no meio desse caos que somos lançados diariamente, começarmos a minimizar as coisas inconscientemente, e é nesse ponto que perdemos a noção de que as vezes fazer isso não é a melhor opção. Existem coisas que só fazem sentido juntas, que tem todo um nexo e uma ligação, e uma delas é a maneira como nos vemos.

Ser uma pessoa é uma coisa que passamos a vida inteira aprendendo a ser mas no fundo já somos desde que começamos a aprender. Viver se baseia apenas em aprender, a cada segundo, a cada instante... Somos um conjunto de pedacinhos que devem ser manuseados com cuidado, pois somos frágeis e instáveis, com um potencial incrível, mas ainda frágeis. Se impor hoje em dia não é fácil, enquanto vivemos buscando nos encaixar em algum lugar, grupo ou atrás de encontrar algum tipo de sentido na vida. Existe uma certa parte da vida que você é obrigado a se impor diante de "leões", e é nessa parte que se você minimizar os problemas (e consequentemente a você mesmo) a ponto de esquecer que é uma pessoa de carne, osso, alma e sentimentos, você não conseguirá o próprio espaço na vida. Temos que sempre lembrar que ninguém tem o direito de restringir qualquer coisa que seja, todos temos o mesmo direito a liberdade de expressão, felicidade e paz. Se perder na vida é normal e acontece algumas vezes no processo de amadurecimento, mas se esquecer que é uma pessoa te faz de refém de qualquer coisa uma vida inteira.


12 de fevereiro de 2012

Sobre satélites e coisas mundanas

A vida muda o nosso rumo, sem nos deixar saber.

O maior engano é pensar que nós temos controle sobre o lugar para onde somos direcionados, lançados aleatoriamente. A vida se encarrega de te mandar pra um lugar onde você é obrigado a mudar, se adaptar, se defender - mesmo que seja preciso mentir, fingir ou enganar. Somos humanos por isso, por coisas que virão a se tornar erros, mesmo que seja primordial para sobreviver.

Como agir, como reagir, como se permitir?

São perguntas que mudam nosso interior, mesmo que sem resposta ou não respondidas. Simplesmente somos mudados... e é primordial saber qual dessas é a prioridade, para não se perder no meio do caminho. Caminho longo, confuso, e problemático.

Aprender com os erros, sentir dor, crescer e mudar - esse é o ciclo - e se achar no meio da bagunça chamada vida situa as pessoas nesse meio. É tudo um jogo, que você descobre as regras conforme foi inspecionado, calculado... continuar e seguir a própria linha de raciocínio, sem interferência.

Os satélites um dia irão cair, e você terá que saber se achar no meio do caos.

25 de janeiro de 2012

Sobre amor, anulação e você mesmo

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

John Lennon

25 de dezembro de 2011

Ready

O que vocês vêm hoje não é a mesma coisa de ontem, e quem escreve a vocês agora não será  mesma pessoa que acordará amanhã, talvez. É assim que funciona o mundo desde que ele é mundo, e nada se altera nesse cliclo, o mundo está destinado a mudar e nós mudarmos com o mundo, e assim por diante. O que nos resta é se adaptar, pois afinal de contas, é nisso que o ser humano é especialista, não é? Estamos nos adaptado desde que nascemos, assim como nossos ancestrais mais remotos fizeram, se pensarmos de forma analoga. Dessa forma, é justo pensar que quem se acomoda, por mais cômodo e confortável que seja, está perdendo seu lugar ao sol. E foi neste exato buraco aonde eu caí. Me acomodei, me acomodei por tanto tempo ao ponto de não saber mais trilhar meu caminho sozinho, e então pegar o trem errado para outra estação estranha. Apertei mãos erradas, e desde então me deixei levá-las por desvirtuosos caminhos que a pessoa que eu quero ser jamais trilharia. Dizem que não há como apagar o passado, mas acho que o futuro está aí pra isso, não é? O futuro não é sobre re/construir as coisas que você deseja? Se o futuro não é sobre isso, então sobre que o futuro seria? A questão é planejar e saber antecipar as peças que a vida nos prega, e contar com a incerteza, com a surpresa e com o aspecto negativo das pessoas, inclusive os nossos. E se adaptar, e assim ir a luta pra buscar o que quer ou se tornar quem quer ser. 

Let's inspire.

1 de outubro de 2011

(i)Limitações

 Rispidamente, ela falou algo sobre não precisar de nada, que não queria ajuda e podia se virar sozinha, como sempre fez. Mas seus olhos suplicavam por ajuda, mas por orgulho, puro, jamais pediria. A única pessoa que poderia ajudá-la. Até que pediu, com uma voz chorosa de quem levou um fardo a vida inteira, que estava a destruindo por dentro. Ele repousou seu chapéu em sua cabeça. Na mesma hora ela entendeu, que ele moveria universos por ela. A única pessoa a quem ele confiaria o chapéu, seu maior tesouro.