
'''''''''Os pais a acharam no banheiro de casa, a garota vítima do álcool, algumas pílulas e uma coleção de histórias tristes estava muito pálida, como se a vida estivesse deixando seu corpo lentamente, a única saída que até então lhe restara, anestesiar a dor aguda que sentia, nesse momento era o único pensamento viável, não, era mais que isso, a última ideia fixa que ela tinha. A próxima visão que a decadente jovem teve de si mesma foi no hospital, presa as faixas, presa a aquela cama que parecia no mínimo aconchegante. Apesar de estar em um hospital, ela sentia que poderia passar uns bons dias ali, como se o resto do mundo e a vida conturbada que até então tinha fossem apenas histórias irreais que ela lera em algum lugar. Entretanto, parecia simples demais, ela pensava, é simples demais para alguém como eu, eis a triste retrospectiva, pensou ela, sem amigos, agora que a única pessoa com quem mantinha um laço de amizade fora embora, sem namorado, depois que ela o tinha descoberto que mantivera um caso com sua prima por pelo menos 5 meses, morar no Iraque (começou a chamar sua casa assim depois que os pais entraram em processo de separação e consequentemente esqueceram que ela existia), não lhe restara uma única pessoa viva nesse mundo a quem recorrer.
'''''''''''''''''''Como você é fútil, o reflexo do espelho disse, ela sabia que estava errada, sabia que não havia justificativa plausível para o que ela fizera, talvez fosse pela necessidade de atenção ou uma prática maneira de dar fim a isso tudo. Expulsar demônios nunca fora tão difícil, escrever se tornara antiquado, dando a perceber que a única saída viável era a que ela tinha escolhido, apenas mais um engano tolo. O vovô faria diferente, pena que ele se foi, e me deixou aqui... - pensou ela de um jeito estranhamente melancólico, o avô e o seu mundo, morrera há pouco mais de 3 meses, tão pouco tempo para uma garota (frágil) de 16 anos se recompor de uma traição, um abandono, um divórcio, uma partida dolorosa e um funeral.
As vezes eu tenho a sensação de que ele está me observando.
Outras vezes eu sinto que eu deveria ir...





2 comentários:
não vejo por que se condenar, independente de que motivos a levaram a fazer isso. se fôssemos todos condenados pelos males que infringimos a nós mesmos, não haveria lugar suficiente nos presídios.
minha opinião, claro.
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