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25 de setembro de 2012

Internet e Circo é o novo Pão e Circo

Viver a ditadura da preguiça é a desculpa perfeita que a juventude atual buscou para justificar a falta de ação sobre todas as coisas que não concordamos. O normal é ir xingar muito no twitter em vez de ir pras ruas, bater o pé e gritar na cara alheia dizendo que nós não queremos isso. Se os romanos inventaram a política do pão e circo, o Brasil adotou ela, a nova sociedade adaptou-a e em pão e internet. Não está claro? Essa greve de 4 meses das Universidades Federais foi marcada pela ausência completa de alguma oposição do movimento estudantil. O movimento estudantil brasileiro morreu há um bom tempo, e enquanto ele permanece morto muita gente celebra a redução dos impostos sobre os aparelhos tecnológicos nacionais e a taxação dos internacionais. Legal né? Enquanto o ensino nas universidades se deteriora, exibimos nossos inteligentes smartphones de última geração. Brilhante!

 Algumas vezes eu penso “maldita modernidade!”, que trouxe junto com o avanço tecnológico a imbecilização acentuada da massa. Hoje, estava na sala de aula da minha faculdade mergulhado em certa dose de tédio, e resolvo abrir o twitter para ver se encontrava alguma coisa interessante para ler, até que me deparo com algumas pessoas comentando sobre os tweets do Deputado Federal Protógenes Queiroz sobre o filme Ted, um filme com indicação etária que tinha cenas que envolviam o uso de drogas. Ele não se contentou com xingar muito no twitter, o (des)ocupadíssimo Deputado Federal afirmou ter acionado meios legais para o filme ser proibido de ser passado no Brasil. Um minuto de silêncio para pensar em todo o esforço que foi gasto em reclamar no twitter e acionar os meios legais que poderiam ser usados para uma coisa mais útil.

Ontem, estava acompanhando outros comentários no twitter sobre o recorrente assunto do Leonardo Sakamoto, blogueiro do Uol, querendo que ostentação virasse um crime previsto no código penal. Ostentação, crime? Se a Tulla Luana souber o que é ostentar, eu certamente acreditaria se alguém chegasse a mim e dissesse que foi ela quem escreveu tal texto em seu blog. É nessa hora eu me vejo fazendo gestos com as mãos e dizendo: até quando?

Isso vai além da minha visão misantrópica, vai além da crítica à aquelas pessoas que curtem a Gina Indelicada ou passam o dia sentados na frente do computador compartilhando imagens no facebook, vai bem mais além da crítica que tem como alvo o sertanejo monossilábico e comercial que é vendido hoje em dia . São demonstrações reais de como as pessoas são estúpidas, e como isso se agrava quando elas tem meios para serem estúpidas, a ponto de fazer escândalo por achar um filme inadequado enquanto existe coisa bem mais revoltante que é esfregada na nossa cara diariamente, e por não gostar que burgueses sejam burgueses (mas quem esconderia que tem um produto Apple?).

Com esse olhar, a última coisa que eu chamaria o nosso país é de elitista, e se ele realmente for... só rezando para que algum dia alcancemos a redenção. Não sei se é essa a sociedade 2.0, mas uma coisa é certa no Brasil: se cobrir com lona vira um circo, e se cercar vira uma prisão.

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