Pessoas vão sempre nos decepcionar. Isso é tão certo quanto o ar que respiramos, mas eu ainda faço aquele tipo bobo de esperançoso que acha que a capacidade humana de insistir, mesmo nas piores condições, é a nossa qualidade redentora. Mas existe um problema sério nisso: a quantidade de vezes que você insiste na coisa errada, e só pode saber disso mais na frente. Se pararmos para pensar em quantas pessoas ficaram no caminho percorrido para chegar até aqui por não serem quem mais quem tu queria trazer, faz bem mais sentido. É o tipo de relação que chega a um extremo desgostoso - o silêncio.
Tanta coisa para se dizer, a essa altura. Mas quem fala mais alto é o silêncio, o desapego. É o adeus que vem antes de você dizê-lo, a sensação de que agora você fala com uma pessoa que está na sua frente mas já não pertence mais à sua vida. E só o que resta é caminhar e não olhar pra trás, até encontrar seja lá o que for que você espera encontrar - lembrando que sempre vamos ver bem mais coisa do que desejamos, isso é a vida esfregando na cara que o ser humano é arrogante quando se trata de saber. Nós nunca sabemos o que realmente há de saber.
Essa é uma situação típica que caracteriza o desapego. O desapego é o estágio consciente, mas isso não é nem de longe a parte mais difícil, é muito fácil por na maioria das vezes acontecer naturalmente.
O difícil mesmo é controlar o fluxo de lembranças que insistem em
passar só pra deixar o sabor desgostoso da falta de alguém que hoje
já não é mais a mesma pessoa de quem você sente falta. E quando
se tem memória boa então? Tudo vira uma arma pontiaguda que você
tem que se manter longe do fio de corte, que pode se estender muito
longe dependendo do tamanho de consciência.
Por outro lado
quando chega o desapego é natural, você não tem que se
preocupar em manter distância – a distância já está lá, já te
separa e seu único problema é o constrangimento que se esconde em
um olhar cercado de culpa ou qualquer outra coisa mútua, ou de
conversas vazias por falta de interesse. Isso pode até não ser nem
um pouco desgastante, mas continua sendo uma coisa ruim, transitoriedade não me agrada. É natural, normal e imutável,
é. Mas mesmo assim, quando o adeus chega antes de você dizê-lo, é
sempre a mesma história triste se repetindo.





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