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8 de outubro de 2013

Insípido, subjetivo, lúgubre e abstrato.


Eu guardei no fundo de mim a marca que você deixou quando passou e foi embora sem avisar. Inconfundível. Guardei tão fundo que até esqueci. Esqueci dentro de mim. Até que um dia eu lembrei. Lembrei também que eu nunca soube cuidar de ti, nem de mim. Aliás, se serve de consolo, até hoje não sei. Só tenho vagas noções do que fazer ou não – aquela linha tênue. Essa mesmo, que vivo dançando encima com um guarda-chuva. É porque chove bastante por aqui. Tão minha vida. Mas esse é o meu pecado, sabia? Ter um os dois olhos e coração no presente, e um pezinho das memórias no passado, e tentar fazer disso um malabarismo para em uma tentativa frustrada lembrar quem fui pra não perder minha essência. Essa que você ignorou por tanto tempo e sequer conheceu a fundo, mas que na verdade sequer estava formada. Não tinha como, afinal de contas. Hoje eu sei que a marca que você deixou aqui, me serviu de algo, ajudou a moldar quem eu sou, nem que isso signifique ser apenas mais um souvenir nesse museu vasto que por vezes me perco e passo horas até achar o caminho de volta. Mas eu sempre acho. Problemático. Eu sei, existe um motivo. Existe um motivo para você não estar mais aqui. Existe um motivo pra tudo ser passageiro. Motivo esse é me fazer lembrar, e me deixar vivo, por isso. Consigo lembrar de tanta coisa, mas não lembro mais seu nome, número de telefone, formato do rosto, som da sua risada ou sequer seu cheiro. Hoje eu só lembro de mim, de como eu me senti e de como eu continuo me sentindo. É assim que funciona. Até a minha memória se desgastar e eu me perder por completo e definitivamente. É fato. É tão certo quanto a minha vida ser um aeroporto. Tão certo quanto eu detestar idas e vindas. Tão certo quanto eu detestar lembrar. Só não tão certo quanto a vida.

13 de maio de 2013

O mundo não é mais o mundo de Flashback

E ainda bem que não é o clipe de I’m Glad da Jennifer Lopez.

Passaram-se 30 anos desde que Flashdance virou campeão de bilheteria e veio a representar toda uma geração baseada em mullet e collant. Não temos mais Michael Jackson e em vez de Friends temos How I Met Your Mother, não existem mais propagandas de cigarro e ao invés disso ficamos ofendidos até com propagandas de desodorante. Esse é o mundo da livre e altamente tecnológica nova década de 10.

 Flashdance conta a história de Alexandra Owens, uma jovem que luta na vida sem medir esforços para realizar o sonho de se tornar bailarina, e para isso trabalha como operária durante o dia e à noite como dançarina numa boate. Se vocês têm como exemplo de operário o nosso querido ex-presidente Lula, desfaçam-no agora, pois ele perdeu um dedo. Tomem a Alex como exemplo, apesar do nome dela ser ambíguo. Enfim, Flashdance é baseado em fatos reais e a inspiração para esse filme, a canadense Maureen Marder, acabou processando a Paramount Pictures e a Sony, que resolveu apoiar a Jennifer Lopez no clipe de I’m Glad, da dita cuja que queria ser a protagonista no remake do filme. E como se não fosse suficiente, a ex Spice Girl Geri Halliwell, nos deu a música que mais tarde viria ser a abertura do programa do Leão Lobo e outro clipe horrível com closes desnecessários da sua tatuagem ne cóccix que tá aqui embaixo.





Bizarrices a parte, o filme nos traz pontos bastante questionáveis:

O ideal 
Alex é uma mulher solteira que tem dupla jornada de trabalho e nenhuma das duas é um trabalho que você aceitaria. Mas é o que acontece quando se é pobre a ponto de precisar ir de bicicleta para o trabalho. Eu sei que nem todo mundo tem o rostinho bonito da Jennifer Beals, apesar de ter amigos que eu juro que tem um cabelo idêntico ao dela. Mas tá, se serve de consolo, essa é a cara dela quando tá de maquiagem dançando na boate:

Não adianta limpar o monitor, não é a tela do seu computador que tá suja.
Mas uma coisa vocês tem que admitir, hoje em dia falta gente trabalhadora e honesta, principalmente com sonhos e coragem pra ir atrás deles. E só pra vocês sentirem que o mundo dá voltas, ela também foi a autora de uma das cenas clássicas envolvendo passos de dança que foi imitada várias gerações depois. Tá achando que é mole? Vai atrás de um sonho pra ver...


Rebeldia
Eu sei, vocês vão me dizer que era 83 e pra ser rebelde não precisava de muito se até a dancinha no chafariz da abertura de Friends foi cortada porque era considerada indecente. Mas a Alex já fez algumas coisinhas que alguns de nós jamais terão oportunidade ou coragem de fazer.

Dormir com o chefe, não ficar conhecida no trabalho como a mulher que subiu de cargo por esse motivo e ainda assim fazer a rebelde inocente pra cima de todos, porque afinal, ela era uma mulher forte, trabalhadora e decidia. Resumindo: uma Xuxa no começo da carreira (antes do filme pornô, claro) com a inocência da Sandy (antes do sexo anal, claro).

Ser linda usando esse cabelo e fazendo uma citação clichê que hoje corresponderia a algo equivalente a Caio Fernando Abreu ou Clarice Lispector.

Dar uns tapas nas amigas piriguetes.

Acessos de Raiva
O que você faria se perseguissem você de bicicleta e jogassem um tijolo na sua janela?


 Climão na frente de todos os seus empregados?


Jogar um pé de sapato no boy magia, sempre um, só um. Mas pra isso é preciso ter consciência que você é pobre e não tem dinheiro nem pro trasporte coletivo, imagina pra comprar outro par de sapato e jogar o outro pé que faltava, pra depois ganhar uma bolsa de estudo do boy, só precisar fazer um teste e ficar rebelde revoltada triste em casa fumando.


Achei Hype e Regional

Pra no final, dar um show de talento, dedicação e trabalho duro, quebrar preconceitos de toda uma sociedade que duvida de qualquer pessoa que seja humilde e esteja em busca de subir na vida, por mais que você esteja lá por um motivo duvidoso e sua motivação tenha oscilado entre os seus dramas pessoais ao decorrer do filme.



E só pra finalizar, queria deixar claro que Flashdance é um excelente filme que representou uma geração inteira e marcou a história do cinema e da música pra sempre, seja com What a Feeling ou com a icônica cena da Alex dançando Maniac. Flashdace foi também a primeira parceria entre  a primeira colaboração entre Don Simpson e Jerry Bruckheimer, que posteriormente viriam a produzir juntos Top Gun, outro clássico e um dos filmes com mais mensagens subliminares gays que existem da década de 80, com o Tom Cruise jovem e irradiante estrelando.

E no fim das contas, ainda não estou certo se queria que o mundo hoje fosse o mundo de Flashdance... o que você acha?

28 de abril de 2013

Não há ninguém aqui pra você provar que existe

Seus pensamentos voavam vôos rasos no céu de sua cabeça, fazendo dela um emaranhado de confusões passageiras e ligeiramente transitórias. Já não sabia mais o que pensar, ou como pensar. Sozinha na frente do fogão, se deparou com somente a solidão sentada na mesa, dizendo apressada que estava com muita fome. Que a solidão morra de fome, pensou. Já estava farta de dizer pra si mesma que a vida não lhe dera opções. Ela quis voltar no passado e tomar escolhas diferentes, quis viver a vida de uma pessoa que não era a dela. Não que a sua fosse ruim, não era. Mas quem sabe, da outra forma não estaria sozinha em casa jantando com a solidão. Esse era o caminho que ela se deixou levar, e nos seus pensamentos era isso que ela tinha que apenas aceitar, como o fez por um longo tempo. Mas bem lá no fundo ela desejava mais, ela desejava ser mais, mas até então isso ficaria apenas como um desejo reprimido, empoeirado. Filhos, marido, tudo agora não passava de um sussurro inquietante, como se perguntasse porque todos não estavam lá, um fantasma cujo eco preenchia a casa inteira. Então ela voltou a si e interrompeu a quase-epifania e voltou a jantar como o usual.

2 de abril de 2013

Conversas de elevador

No saguão eles se encontraram, depois de muito tempo sem se ver.

Aquele sorriso fácil caiu, e ambos sabiam que era uma gentileza coberta de formalidade que chegava a ser constrangedor. Ocorreu então, o pensamento de que as coisas tinham ficado complicadas demais. Ou não.

Entraram no elevador, e as mãos erraram o trajeto na hora de apertar o botão do andar - elas se encontraram. Uma conversa vazia e uma negligência óbvia era tudo o que eles poderiam oferecer um ao outro no momento, e era o que estava acontecendo . Só que nem sempre foi assim.

"Sinto saudades do que éramos" - disse um.
"Sinto saudades de quem eu era" - disse o outro.

E finalmente se deram conta de que estavam um a frente do outro.

Silêncio, um suspiro e uma história mal resolvida. - o elevador para.
"Eu só queria que nada disso tivesse acontecido", um diz um com um murmúrio.

Uma mão tatea em busca da outra, e encontra o vão. O outro sai fingindo que nada aconteceu. E só o que aconteceu mesmo, no fim das contas, foi a vida.

14 de fevereiro de 2013

Você é o que você consome, mas a verdade é que você é apenas consumido

Consumismo, a engrenagem que faz a humanidade funcionar. A população do planeta terra inteira tem noção de que dinheiro move o mundo e sempre moveu. Em consequência disso, podemos concluir que o mercado também. Certa vez um professor da faculdade me disse que nós não escolhemos o que compramos, nós somos apenas compelidos a comprar. De fato, há um fundo de verdade nisso, e eu reuni alguns produtos que de tempos em tempos viram tendência e deixam de ser, que são anexados na cultura pop mundial e depois deixados de lado, e assim por diante...

Celulares, Smartphones e Outras Coisas

Celular, iPhone, smartphone, escolha você mesmo o nome que usar. Hoje, em 2013 nós estamos na era touchscreen, a era dos tablets, a era em que é desvantajoso ter um celular com a tela pequena. Mas... vocês se lembram como isso começou? 


Isso tudo começou com a velha série Nokia conhecida popularmente por tijolão. Na década de 1990 esses aparelhos eram o esplendor da tecnologia, e adivinha só? Todos queriam um! Não tinha câmera, não reproduzia mp3 e muito menos vídeos mas mesmo assim todos queriam. A essa altura internet era apenas um desejo, e no celular era uma ideia ridícula. O máximo de entretenimento que ele talvez fornecesse era o famoso jogo da cobrinha, que matou o tempo de muita gente por anos. Na década de 90 eu era criança, mas ainda assim tive o prazer de ver um celular desses com esses olhos que a terra um dia há de comer e certamente você que é maior de 18 anos também conheceu alguém que teve um desses. Hoje, só servem para enfeitar um museu ou fazer mal para alguém que você detesta (deve doer). Você ainda quer um?


Logo após a ascensão dos tijolões ao topo do desejo consumista, aconteceu a coisa mais óbvia para algo que está no topo: a queda. Isso foi ocasionado por um fenômeno no mínimo interessante, as inovações tecnológicas começaram a moldar o desejo das grandes massas, e os celulares compactos começaram a virar o objeto de desejo, tornando os tijolões aparelhos ultrapassados e até mesmo bregas. Esses já incorporavam um aspecto ou outro dos celulares que conhecemos hoje, mas claro, sem esse boom gigantesco que foi a internet e as redes sociais. De repente nenhuma das pessoas que conhecíamos, talvez as pessoas de mais idade, tinham um celular grande.

E então finalmente nós chegamos à nossa era, a era online em que os celulares voltaram a ser coisas enormes sem serem bregas e realizam várias tarefas, cada uma mais impensada que a outra e que certamente você possui, possuiu ou deseja um. O jeito de se comunicar foi difundido e as pessoas passaram a serem tão consumistas a ponto de acampar na frente de uma loja apenas para comprar antes de outra pessoa. Parece absurdo né? Mas esse é o mundo em que vivemos.

HQ's e livros que você nunca leu
Nos nossos queridos anos 10 um comportamento que se tornou incansavelmente repetitivo foram as trilogias. A regra é clara: deu dinheiro? Faça uma trilogia! Deu mais dinheiro? Faça mais filmes! Claro, isso funciona bem melhor se for baseado em um livro, ou por que não melhor? Em uma série de livros! Senhor dos Anéis, Harry Potter, Percy Jackson, Crepúsculo, As Crônicas de Narnia, são todos livros juvenis que uma legião de adolescentes incontroláveis já leram, e que chamaram bastante atenção devido as adaptações cinematográficas. O nome disso é apenas mais um: cultura acessível. Um livro se tornar lido por existir uma adaptação nas telinhas é um hábito tão comum quanto perceber a fórmula por trás das novelas da Gloria Perez. Crepúsculo por exemplo, é uma obra que é criticada por Zeus e o mundo e consideravelmente pior que qualquer livro do Machado de Assis (convenhamos), mas se você perguntar a qualquer adolescente em uma certa faixa de idade, que ele vai responder que adora Crepúsculo e vai também fazer uma careta feia quando você diz literatura e brasileira na mesma frase. Não é uma crítica, é um fato.

O ponto é, tais livros não viram best-sellers por acaso. Correndo o risco de parecer paranoico eu digo a vocês que é tudo um plano maléfico para que o dinheiro desapareça misteriosamente da sua carteira. 50 tons de cinza não é o que é por acidente, é por que assim vende. E você compra. E você lê. E você assiste. Você ainda acha que escolhe o que compra? Vamos para outro ponto então, em uma das séries mais cultuadas da cultura pop atual: The Walking Dead. A HQ é lançada nos EUA desde 2003. Isso mesmo, há 10 anos. Já no Brasil, começou a ser lançada em 2006, mas acompanhando os volumes atuais dos EUA. Mas eu e você só começamos a ler o quadrinho depois que a série foi lançada em 2010, não é? Eu não mencionei cultura pop ali por acaso, pensem no número de pessoas que começaram a gostar de zumbis e da ideia de um apocalipse zumbi depois que a série se tornou famosa. 

Nega Samurai alterou seu status para: seríssima.
A mesma coisa se repete com Game Of Thrones, hoje uma aclamada serie da HBO que tem uma série até agora 5 livros publicados, com o seu primeiro volume lançado em 1996 e que só ganhou popularidade após o lançamento da série em 2011. E os filmes de heróis então? Batman, Capitão América, Superman, Lanterna Verde, Os Vingadores são todos filmes que surgiram de HQ's que eu duvido muito que os "fãs" os filmes tenham sequer lido mais de 15 HQ's de cada um. A mesma coisa acontecerá com esses remakes de Star Wars que está sendo feito, e agora com a compra que a Disney fez sobre os filmes e o anúncio de mais filmes, a única coisa que podemos concluir é que a mesma coisa vai acontecer. 

Receita para o sucesso de um cantor/banda: mate-o.
Bem, infelizmente é isso aí mesmo. Eu poderia fazer uma lista enorme de cantores que já morreram e seu sucesso foi não só duplicado, mas multiplicado por um número em potência de 10. Vasculhando na memória aí um pouquinho, você consegue pensar. Michael Jackson estava sendo pouco a pouco esquecido, até marcar sua nova turnê e morrer, Amy Winehouse tinha sua popularidade baseada nos escândalos com drogas, Whitney Houston surpreendeu as massas com uma morte polêmica, Donna Summer que até então grande parte não sabia quem era até morrer, entre outros que morreram recentemente e nós pudemos observar claramente nas redes sociais a movimentação excessiva e as vezes até exagerada. Creio eu que isso também ocorreu com Elvis, John Lennon, Freddie Mercury, Kurt Cobain, Sid Vicious, Mamonas Assassinas, Legião Urbana, Cazuza, Cássia Eller, e vários outros que morreram antes. Como eu disse, daria uma lista enorme. O fato é: sempre que um cantor notável morre, seu sucesso é multiplicado. As gravadoras sabem disso, e a primeira coisa que acontece é falar pro povo: ei, nós temos músicas novas do fulano que morreu! E eles lançam, e nós compramos ou baixamos por torrent. Você ainda acha que não é compelido a comprar?

Os doces no supermercado ficam na parte de baixo por apenas um motivo, e esse motivo é parecido com o que eu estou falando desde o começo desse post. É só questão de prestar atenção. Mas lembrem-se criancinhas: não há motivo pra lutar contra isso. Che Guevara e o socialismo não mudarão isso, o mundo é assim. E ah sim, fica aqui um último pedido: não sejam o cara com síndrome de underground  (eles são sempre malas). Nem o cara que conta spoilers também! (spoiler </3) . Então... o que você vai comprar?

19 de dezembro de 2012

Crianças gostam de caixas tanto quanto você gosta de dinheiro

Esse post é dedicado a você, que até agora não criou vergonha na cara pra ir comprar o presente de natal para a(s) criança(s) que você tem que presentear. A grana tá curta, é fim de ano e você quer economizar? Então ouça o que eu tenho a dizer: eu tenho a solução dos seus problemas. Dê uma caixa a uma criança e faça ela feliz!

Crianças, sempre se machucando...

Existe uma teoria provavelmente elaborada por cientistas desocupados da Xexênia que diz que o presente ideal para uma criança é uma caixa, e ela tem que aumentar de tamanho conforme o tamanho da criança, até chegar ao ápice de tamanho de caixa que é a caixa de geladeira, presente ideal a uma criança de 7 anos.

Isso não é apenas uma caixa.

Aos olhos de uma criança, isso pode ser:

Um foguete
Um carro
Um navio

Uma casa
Alguma dúvida ainda?

Quanto maior a caixa, mais mágico será para ela. Todos nós sabemos que crianças desfrutam de uma imaginação de uma forma que em nenhuma outra idade nós podemos nos equiparar.

Mas... por que crianças gostam de caixas?

Falando Sério
Segue aqui, algumas opiniões de Tovah Klein, PhD (https://barnard.edu/profiles/tovah-klein), diretor do Colégio Barnard, do Centro de Desenvolvimento Infantil, localizado em Nova York. São baseadas no estudo científico realizado pelo PhD, portanto, tem mais credibilidade científica que maioria dos estudos que você já fez.
  • "Por uma caixa ser aberta, pode ser qualquer coisa que seu filho quer que seja".
  • Crianças dessa idade são curiosas, mas também amam o que é familiar. Um novo brinquedo pode ter uma forma, cor e som diferente, que pode ser suficiente para impulsionar o seu bebê de volta para o prazer (e familiar) simples da caixa. 
  • Crianças são fascinadas com abertura e fechamento, esconder-se e encontrar, e colocar itens dentro das coisas e tirá-los; uma única caixa permite que o seu filho fazer tudo isso. Ela também permite que ele aprenda sobre - e controle - o processo de separação: Ele sabe que mesmo que ele não pode ver o que ele colocou lá, ele ainda está lá. 
  • Muitas crianças gostam de subir em caixas porque um pequeno espaço faz-nos sentir protegidos. Klein diz: "O mundo é um lugar grande, e as caixas são locais pequenos que dão crianças uma sensação de segurança."
E aí, pronto pra presentear uma criança com uma caixa?

10 de dezembro de 2012

Humano demais

Nós humanos temos uma busca obsessiva por controle. A história está bem aí para isso, pra nos mostrar que alguns homens foram aonde jamais pensaram em ir, embarcando jornadas gigantescas e nada fáceis por nada menos que a busca por controle. É uma necessidade humana, assim como a de medir, quantificar e conceituar todas as coisas ao nosso redor. Isso se torna uma falha enorme quando relacionamos com outra característica inerente ao ser humano, a necessidade de se conectar com o outro.

A principal dificuldade em se conectar com outro ser humano é a complicação que existe em unir dois mundos. Sim, eu disse mundos. Nós perdemos a noção de que são dois mundos já formados, forjados por experiências passadas com traumas, filosofias e princípios a serem seguidos. Dois mundos tentando achar uma zona de convergência, que não seja artificial ou facilmente desgastada, o que no fim das contas toma bastante tempo e esforço que as vezes pode parecer ser vão. Tal zona de convergência, pode chegar a não existir dependendo do grau que a busca por controle toma, não se pode simplesmente ditar as leis que regem o mundo de outra pessoa.

 Quadrinho que resume com exatidão a situação descrita acima.
Então, nós temos aqui um paradoxo: sempre procuramos nos conectar com alguém mas por essa busca por controle, temos a tendência natural de sabotarmos isso. O grau de complexidade do ser humano reside aí, ao ponto de me levar a pensar algumas vezes que nascemos para ser sozinhos e passamos a vida inteira lutando contra esse fato, que é bem maior que nós mesmos. Porque tudo deve ser medido, regrado, conceituado e classificado? Já dizia John Lennon em um dos seus textos "fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos".

Talvez amenizar a essa mania controladora signifique perder um pouco desse formato humano, e talvez isso seja uma coisa boa. Não existe fórmula para, é um caminho que cada um deve encontrar, que cada um deve ter noção que está atrás. A vida é semelhante a uma loja qualquer, se você entrar sem saber o que quer comprar, talvez saia com dinheiro desperdiçado obtendo uma coisa que você não precisa. E uma coisa é bem clara, controle é um produto barato e extremamente indesejável em excesso. E eles não aceitam devolução.