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29 de junho de 2014

I'm a son of rage and love

É isso aí. Eu sou o filho da raiva e o amor. Uma bagunça completa. Uma tempestade, como o username do meu twitter tá cansado de dizer e sempre reforça. Tenho muitos problemas, e alguns deles só eu sei. Mas afinal de contas quem não é? Verdade seja dita, todos somos uma bagunça completa, a diferença só está na superexposição. A vida vem do mesmo jeito pra todos, uma hora ou outra, é um fato incontestável. As indefinidas situações que você passa te transformam, e as decepções te fazem criar mecanismos de defesa para que você amenize o sofrimento uma vez causado. Você carregará cicatrizes pro resto da vida. Algumas mais cicatrizadas, outras não. É natural, é a capacidade de se adaptar do ser humano. Sem isso nós não teríamos sobrevivido e evoluído por milhares de anos.

O problema é que devido a isso, vez ou outra nós acabamos incorporando algo que é chamado de complexo do porco-espinho. Quando adquirimos o complexo do porco-espinho o nosso comportamento se torna paradoxal, ansiando pela proximidade das pessoas mas ao mesmo tempo evitando essa mesma proximidade com medo de nos magoarmos. Inseguros e complexados, temos a tendência de nos afastar das pessoas por temer a mágoa da separação. No fim das contas, criamos uma armadura, que funcionam como mecanismos de defesa e por várias vezes complicam as nossas relações, algumas vezes até agindo contra nós mesmos. Mas não estou aqui para falar de auto-sabotagem.

Vivemos em um meio em que somos julgados a todo tempo. Isso faz com que, frequentemente, as pessoas busquem a aceitação social mesmo que isso signifique ignorar coisas pessoais. Seja aquela característica própria que não é bem vista como um todo ou apenas não tão estimada assim. O medo da não aceitação faz com que a armadura seja forjada contra o seu próprio feitor, fazendo a pessoa viver em falta consigo mesma. Auto-aceitação é uma das coisas mais complicadas que existe e não é todo mundo que consegue viver com a consciência limpa por ser quem é. É difícil ser honesto consigo mesmo a todo tempo. Um conselho que uma vez eu ouvi é: nunca mentir pra si mesmo. A felicidade tá mais perto assim, eu acredito.

O mundo de hoje tem algo chamado de 'o paradoxo do mundo tecnológico', que é aquele de estar no meio de milhões e mesmo assim se sentir sozinho. Óbvio que não no sentido literal da palavra, mas todos nós buscamos formas de se relacionar com outros, é uma necessidade básica. O problema é que isso não é tão simples, nós somos seres complexos. Esse mundo absolutamente tecnológico tornou as relações mais complexas, e o contato mais sistemático e padronizado. Ou seja, nós temos hoje um milhão de pessoas diferentes a um clique de distância e todas elas aprendendo uma linguagem emocional padronizada, formatada e consequentemente, complexa. 

Nós aprendemos aquela velha história que a vida é curta, e isso faz com que sentimos tudo com demasiada intensidade. Não é bem assim, equilíbrio é fundamental. Quando o perdemos, temos que ter em mente que as pessoas lembram, e nem sempre esquecem tão fácil. De toda forma, se despir das armaduras faz com que seja mais fácil se relacionar, e mesmo que seja difícil, devemos o fazer. Julgar menos, se preocupar menos em ser aceito ou viver com o padrão de vida normal. Isso nem sempre significa felicidade. E quem afinal de contas quer ser infeliz, né?

7 de janeiro de 2014

Sedentarismo

       Quantas vezes a gente precisa se sentir vazio pra se encher de algo?

      Algumas vezes eu só queria largar de vez esse vício de ver tudo de forma simbólica e abstrata. Em, outras, só ser mais expressivo. Mas hoje eu vejo que o melhor é calar a boca, sabe? De vez em quando a gente precisa ficar sozinho pra conseguir olhar pro céu a noite e em vez de se guiar por estrelas, ver um farol. E isso é todo um processo até você ter certeza de quem é a pessoa que te olha fixamente no espelho.
      Eu cansei de falar como a vida é injusta e a forma como ela nos atinge, cansei tanto que até passei a aceitar. Aceitação, que palavra estranha pra se dizer aos 21 anos. Mais estranho ainda é aprender na marra que ela tem mais significados do que se possa imaginar. Uma coisa é certa, só com pouco mais de duas décadas vivo já cansei de uma gama de coisas que deveria ter cansei somente daqui há alguns 15 anos, mas velhice precoce é clichê demais e eu não quero considerar isso.
      Já passou toda aquela baboseira adolescente sobre o que é diferente e normal, sobre saber de alguma coisa sobre algo e também a fase seguinte que é a de ver que o mundo não é realmente aquele parquinho de diversões. Quem vive de prazer paga seu preço. Em seguida é só choque de realidade. Mas eu também cansei disso. Cansei de dramas, cansei de novelas mexicanas, cansei de amores imaginários e cansei de lutar por uma guerra contra o mundo e tudo que existe dentro dele. Sinceramente, cansei até de procurar alguma coisa. Desde então, venho fazendo o contrário, até comigo. 
     E cá estou eu, recorrendo mais uma vez sem saber o que fazer, com pés e mãos atadas. Só que o que me incomoda mesmo é que isso tudo soa mais como uma música da Luka.

8 de outubro de 2013

Insípido, subjetivo, lúgubre e abstrato.


Eu guardei no fundo de mim a marca que você deixou quando passou e foi embora sem avisar. Inconfundível. Guardei tão fundo que até esqueci. Esqueci dentro de mim. Até que um dia eu lembrei. Lembrei também que eu nunca soube cuidar de ti, nem de mim. Aliás, se serve de consolo, até hoje não sei. Só tenho vagas noções do que fazer ou não – aquela linha tênue. Essa mesmo, que vivo dançando encima com um guarda-chuva. É porque chove bastante por aqui. Tão minha vida. Mas esse é o meu pecado, sabia? Ter um os dois olhos e coração no presente, e um pezinho das memórias no passado, e tentar fazer disso um malabarismo para em uma tentativa frustrada lembrar quem fui pra não perder minha essência. Essa que você ignorou por tanto tempo e sequer conheceu a fundo, mas que na verdade sequer estava formada. Não tinha como, afinal de contas. Hoje eu sei que a marca que você deixou aqui, me serviu de algo, ajudou a moldar quem eu sou, nem que isso signifique ser apenas mais um souvenir nesse museu vasto que por vezes me perco e passo horas até achar o caminho de volta. Mas eu sempre acho. Problemático. Eu sei, existe um motivo. Existe um motivo para você não estar mais aqui. Existe um motivo pra tudo ser passageiro. Motivo esse é me fazer lembrar, e me deixar vivo, por isso. Consigo lembrar de tanta coisa, mas não lembro mais seu nome, número de telefone, formato do rosto, som da sua risada ou sequer seu cheiro. Hoje eu só lembro de mim, de como eu me senti e de como eu continuo me sentindo. É assim que funciona. Até a minha memória se desgastar e eu me perder por completo e definitivamente. É fato. É tão certo quanto a minha vida ser um aeroporto. Tão certo quanto eu detestar idas e vindas. Tão certo quanto eu detestar lembrar. Só não tão certo quanto a vida.

13 de maio de 2013

O mundo não é mais o mundo de Flashback

E ainda bem que não é o clipe de I’m Glad da Jennifer Lopez.

Passaram-se 30 anos desde que Flashdance virou campeão de bilheteria e veio a representar toda uma geração baseada em mullet e collant. Não temos mais Michael Jackson e em vez de Friends temos How I Met Your Mother, não existem mais propagandas de cigarro e ao invés disso ficamos ofendidos até com propagandas de desodorante. Esse é o mundo da livre e altamente tecnológica nova década de 10.

 Flashdance conta a história de Alexandra Owens, uma jovem que luta na vida sem medir esforços para realizar o sonho de se tornar bailarina, e para isso trabalha como operária durante o dia e à noite como dançarina numa boate. Se vocês têm como exemplo de operário o nosso querido ex-presidente Lula, desfaçam-no agora, pois ele perdeu um dedo. Tomem a Alex como exemplo, apesar do nome dela ser ambíguo. Enfim, Flashdance é baseado em fatos reais e a inspiração para esse filme, a canadense Maureen Marder, acabou processando a Paramount Pictures e a Sony, que resolveu apoiar a Jennifer Lopez no clipe de I’m Glad, da dita cuja que queria ser a protagonista no remake do filme. E como se não fosse suficiente, a ex Spice Girl Geri Halliwell, nos deu a música que mais tarde viria ser a abertura do programa do Leão Lobo e outro clipe horrível com closes desnecessários da sua tatuagem ne cóccix que tá aqui embaixo.





Bizarrices a parte, o filme nos traz pontos bastante questionáveis:

O ideal 
Alex é uma mulher solteira que tem dupla jornada de trabalho e nenhuma das duas é um trabalho que você aceitaria. Mas é o que acontece quando se é pobre a ponto de precisar ir de bicicleta para o trabalho. Eu sei que nem todo mundo tem o rostinho bonito da Jennifer Beals, apesar de ter amigos que eu juro que tem um cabelo idêntico ao dela. Mas tá, se serve de consolo, essa é a cara dela quando tá de maquiagem dançando na boate:

Não adianta limpar o monitor, não é a tela do seu computador que tá suja.
Mas uma coisa vocês tem que admitir, hoje em dia falta gente trabalhadora e honesta, principalmente com sonhos e coragem pra ir atrás deles. E só pra vocês sentirem que o mundo dá voltas, ela também foi a autora de uma das cenas clássicas envolvendo passos de dança que foi imitada várias gerações depois. Tá achando que é mole? Vai atrás de um sonho pra ver...


Rebeldia
Eu sei, vocês vão me dizer que era 83 e pra ser rebelde não precisava de muito se até a dancinha no chafariz da abertura de Friends foi cortada porque era considerada indecente. Mas a Alex já fez algumas coisinhas que alguns de nós jamais terão oportunidade ou coragem de fazer.

Dormir com o chefe, não ficar conhecida no trabalho como a mulher que subiu de cargo por esse motivo e ainda assim fazer a rebelde inocente pra cima de todos, porque afinal, ela era uma mulher forte, trabalhadora e decidia. Resumindo: uma Xuxa no começo da carreira (antes do filme pornô, claro) com a inocência da Sandy (antes do sexo anal, claro).

Ser linda usando esse cabelo e fazendo uma citação clichê que hoje corresponderia a algo equivalente a Caio Fernando Abreu ou Clarice Lispector.

Dar uns tapas nas amigas piriguetes.

Acessos de Raiva
O que você faria se perseguissem você de bicicleta e jogassem um tijolo na sua janela?


 Climão na frente de todos os seus empregados?


Jogar um pé de sapato no boy magia, sempre um, só um. Mas pra isso é preciso ter consciência que você é pobre e não tem dinheiro nem pro trasporte coletivo, imagina pra comprar outro par de sapato e jogar o outro pé que faltava, pra depois ganhar uma bolsa de estudo do boy, só precisar fazer um teste e ficar rebelde revoltada triste em casa fumando.


Achei Hype e Regional

Pra no final, dar um show de talento, dedicação e trabalho duro, quebrar preconceitos de toda uma sociedade que duvida de qualquer pessoa que seja humilde e esteja em busca de subir na vida, por mais que você esteja lá por um motivo duvidoso e sua motivação tenha oscilado entre os seus dramas pessoais ao decorrer do filme.



E só pra finalizar, queria deixar claro que Flashdance é um excelente filme que representou uma geração inteira e marcou a história do cinema e da música pra sempre, seja com What a Feeling ou com a icônica cena da Alex dançando Maniac. Flashdace foi também a primeira parceria entre  a primeira colaboração entre Don Simpson e Jerry Bruckheimer, que posteriormente viriam a produzir juntos Top Gun, outro clássico e um dos filmes com mais mensagens subliminares gays que existem da década de 80, com o Tom Cruise jovem e irradiante estrelando.

E no fim das contas, ainda não estou certo se queria que o mundo hoje fosse o mundo de Flashdance... o que você acha?

28 de abril de 2013

Não há ninguém aqui pra você provar que existe

Seus pensamentos voavam vôos rasos no céu de sua cabeça, fazendo dela um emaranhado de confusões passageiras e ligeiramente transitórias. Já não sabia mais o que pensar, ou como pensar. Sozinha na frente do fogão, se deparou com somente a solidão sentada na mesa, dizendo apressada que estava com muita fome. Que a solidão morra de fome, pensou. Já estava farta de dizer pra si mesma que a vida não lhe dera opções. Ela quis voltar no passado e tomar escolhas diferentes, quis viver a vida de uma pessoa que não era a dela. Não que a sua fosse ruim, não era. Mas quem sabe, da outra forma não estaria sozinha em casa jantando com a solidão. Esse era o caminho que ela se deixou levar, e nos seus pensamentos era isso que ela tinha que apenas aceitar, como o fez por um longo tempo. Mas bem lá no fundo ela desejava mais, ela desejava ser mais, mas até então isso ficaria apenas como um desejo reprimido, empoeirado. Filhos, marido, tudo agora não passava de um sussurro inquietante, como se perguntasse porque todos não estavam lá, um fantasma cujo eco preenchia a casa inteira. Então ela voltou a si e interrompeu a quase-epifania e voltou a jantar como o usual.

2 de abril de 2013

Conversas de elevador

No saguão eles se encontraram, depois de muito tempo sem se ver.

Aquele sorriso fácil caiu, e ambos sabiam que era uma gentileza coberta de formalidade que chegava a ser constrangedor. Ocorreu então, o pensamento de que as coisas tinham ficado complicadas demais. Ou não.

Entraram no elevador, e as mãos erraram o trajeto na hora de apertar o botão do andar - elas se encontraram. Uma conversa vazia e uma negligência óbvia era tudo o que eles poderiam oferecer um ao outro no momento, e era o que estava acontecendo . Só que nem sempre foi assim.

"Sinto saudades do que éramos" - disse um.
"Sinto saudades de quem eu era" - disse o outro.

E finalmente se deram conta de que estavam um a frente do outro.

Silêncio, um suspiro e uma história mal resolvida. - o elevador para.
"Eu só queria que nada disso tivesse acontecido", um diz um com um murmúrio.

Uma mão tatea em busca da outra, e encontra o vão. O outro sai fingindo que nada aconteceu. E só o que aconteceu mesmo, no fim das contas, foi a vida.

14 de fevereiro de 2013

Você é o que você consome, mas a verdade é que você é apenas consumido

Consumismo, a engrenagem que faz a humanidade funcionar. A população do planeta terra inteira tem noção de que dinheiro move o mundo e sempre moveu. Em consequência disso, podemos concluir que o mercado também. Certa vez um professor da faculdade me disse que nós não escolhemos o que compramos, nós somos apenas compelidos a comprar. De fato, há um fundo de verdade nisso, e eu reuni alguns produtos que de tempos em tempos viram tendência e deixam de ser, que são anexados na cultura pop mundial e depois deixados de lado, e assim por diante...

Celulares, Smartphones e Outras Coisas

Celular, iPhone, smartphone, escolha você mesmo o nome que usar. Hoje, em 2013 nós estamos na era touchscreen, a era dos tablets, a era em que é desvantajoso ter um celular com a tela pequena. Mas... vocês se lembram como isso começou? 


Isso tudo começou com a velha série Nokia conhecida popularmente por tijolão. Na década de 1990 esses aparelhos eram o esplendor da tecnologia, e adivinha só? Todos queriam um! Não tinha câmera, não reproduzia mp3 e muito menos vídeos mas mesmo assim todos queriam. A essa altura internet era apenas um desejo, e no celular era uma ideia ridícula. O máximo de entretenimento que ele talvez fornecesse era o famoso jogo da cobrinha, que matou o tempo de muita gente por anos. Na década de 90 eu era criança, mas ainda assim tive o prazer de ver um celular desses com esses olhos que a terra um dia há de comer e certamente você que é maior de 18 anos também conheceu alguém que teve um desses. Hoje, só servem para enfeitar um museu ou fazer mal para alguém que você detesta (deve doer). Você ainda quer um?


Logo após a ascensão dos tijolões ao topo do desejo consumista, aconteceu a coisa mais óbvia para algo que está no topo: a queda. Isso foi ocasionado por um fenômeno no mínimo interessante, as inovações tecnológicas começaram a moldar o desejo das grandes massas, e os celulares compactos começaram a virar o objeto de desejo, tornando os tijolões aparelhos ultrapassados e até mesmo bregas. Esses já incorporavam um aspecto ou outro dos celulares que conhecemos hoje, mas claro, sem esse boom gigantesco que foi a internet e as redes sociais. De repente nenhuma das pessoas que conhecíamos, talvez as pessoas de mais idade, tinham um celular grande.

E então finalmente nós chegamos à nossa era, a era online em que os celulares voltaram a ser coisas enormes sem serem bregas e realizam várias tarefas, cada uma mais impensada que a outra e que certamente você possui, possuiu ou deseja um. O jeito de se comunicar foi difundido e as pessoas passaram a serem tão consumistas a ponto de acampar na frente de uma loja apenas para comprar antes de outra pessoa. Parece absurdo né? Mas esse é o mundo em que vivemos.

HQ's e livros que você nunca leu
Nos nossos queridos anos 10 um comportamento que se tornou incansavelmente repetitivo foram as trilogias. A regra é clara: deu dinheiro? Faça uma trilogia! Deu mais dinheiro? Faça mais filmes! Claro, isso funciona bem melhor se for baseado em um livro, ou por que não melhor? Em uma série de livros! Senhor dos Anéis, Harry Potter, Percy Jackson, Crepúsculo, As Crônicas de Narnia, são todos livros juvenis que uma legião de adolescentes incontroláveis já leram, e que chamaram bastante atenção devido as adaptações cinematográficas. O nome disso é apenas mais um: cultura acessível. Um livro se tornar lido por existir uma adaptação nas telinhas é um hábito tão comum quanto perceber a fórmula por trás das novelas da Gloria Perez. Crepúsculo por exemplo, é uma obra que é criticada por Zeus e o mundo e consideravelmente pior que qualquer livro do Machado de Assis (convenhamos), mas se você perguntar a qualquer adolescente em uma certa faixa de idade, que ele vai responder que adora Crepúsculo e vai também fazer uma careta feia quando você diz literatura e brasileira na mesma frase. Não é uma crítica, é um fato.

O ponto é, tais livros não viram best-sellers por acaso. Correndo o risco de parecer paranoico eu digo a vocês que é tudo um plano maléfico para que o dinheiro desapareça misteriosamente da sua carteira. 50 tons de cinza não é o que é por acidente, é por que assim vende. E você compra. E você lê. E você assiste. Você ainda acha que escolhe o que compra? Vamos para outro ponto então, em uma das séries mais cultuadas da cultura pop atual: The Walking Dead. A HQ é lançada nos EUA desde 2003. Isso mesmo, há 10 anos. Já no Brasil, começou a ser lançada em 2006, mas acompanhando os volumes atuais dos EUA. Mas eu e você só começamos a ler o quadrinho depois que a série foi lançada em 2010, não é? Eu não mencionei cultura pop ali por acaso, pensem no número de pessoas que começaram a gostar de zumbis e da ideia de um apocalipse zumbi depois que a série se tornou famosa. 

Nega Samurai alterou seu status para: seríssima.
A mesma coisa se repete com Game Of Thrones, hoje uma aclamada serie da HBO que tem uma série até agora 5 livros publicados, com o seu primeiro volume lançado em 1996 e que só ganhou popularidade após o lançamento da série em 2011. E os filmes de heróis então? Batman, Capitão América, Superman, Lanterna Verde, Os Vingadores são todos filmes que surgiram de HQ's que eu duvido muito que os "fãs" os filmes tenham sequer lido mais de 15 HQ's de cada um. A mesma coisa acontecerá com esses remakes de Star Wars que está sendo feito, e agora com a compra que a Disney fez sobre os filmes e o anúncio de mais filmes, a única coisa que podemos concluir é que a mesma coisa vai acontecer. 

Receita para o sucesso de um cantor/banda: mate-o.
Bem, infelizmente é isso aí mesmo. Eu poderia fazer uma lista enorme de cantores que já morreram e seu sucesso foi não só duplicado, mas multiplicado por um número em potência de 10. Vasculhando na memória aí um pouquinho, você consegue pensar. Michael Jackson estava sendo pouco a pouco esquecido, até marcar sua nova turnê e morrer, Amy Winehouse tinha sua popularidade baseada nos escândalos com drogas, Whitney Houston surpreendeu as massas com uma morte polêmica, Donna Summer que até então grande parte não sabia quem era até morrer, entre outros que morreram recentemente e nós pudemos observar claramente nas redes sociais a movimentação excessiva e as vezes até exagerada. Creio eu que isso também ocorreu com Elvis, John Lennon, Freddie Mercury, Kurt Cobain, Sid Vicious, Mamonas Assassinas, Legião Urbana, Cazuza, Cássia Eller, e vários outros que morreram antes. Como eu disse, daria uma lista enorme. O fato é: sempre que um cantor notável morre, seu sucesso é multiplicado. As gravadoras sabem disso, e a primeira coisa que acontece é falar pro povo: ei, nós temos músicas novas do fulano que morreu! E eles lançam, e nós compramos ou baixamos por torrent. Você ainda acha que não é compelido a comprar?

Os doces no supermercado ficam na parte de baixo por apenas um motivo, e esse motivo é parecido com o que eu estou falando desde o começo desse post. É só questão de prestar atenção. Mas lembrem-se criancinhas: não há motivo pra lutar contra isso. Che Guevara e o socialismo não mudarão isso, o mundo é assim. E ah sim, fica aqui um último pedido: não sejam o cara com síndrome de underground  (eles são sempre malas). Nem o cara que conta spoilers também! (spoiler </3) . Então... o que você vai comprar?